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Matéria estranha vegetal

  • 30/01/2020

A colheita mecânica da cana de açúcar, sem a participação da queima da palha, tem provocado um aumento do teor de matéria estranha vegetal na matéria prima.

Essa ocorrência, para as unidades industriais que não efetuam o benefício da matéria prima (limpeza a seco), provoca prejuízos, afetando a operação de colheita, de transporte, industrialização da matéria prima e ainda na qualidade do açúcar. 

Alguns dos impactos acarretados pela matéria estranha vegetal na matéria prima, são de difícil mensuração, enquanto outros são facilmente mensuráveis.

Os de difícil mensuração estão ligados à:

1 – Aumento:

– do consumo de combustível por tonelada de colmo colhido;
– do teor de matéria estranha mineral na matéria prima, arrastada pela matéria estranha vegetal;
– do nível de desgaste dos componentes internos das colhedoras (facas, facões, rolos alimentadores, corrente, taliscas, fundo das esteiras, pás dos extratores);
– do volume de terra a ser removido da fábrica;
– de investimentos em transbordos e/ou aumento do número de horas improdutivas de colhedoras pela falta de transbordos;
– do teor de clorofila na matéria prima, prejudicando a cor do açúcar;
– do nível de desgaste nos equipamentos industriais (tubos de caldeira, bombas, válvulas, esteiras, extratores, martelos dos picadores, pentes, rolos de moenda);
– da carga e do consumo de potência no picador/desfibrador;
– do consumo de eletrodo nas moendas;
– do consumo de polímeros industriais.

2 – Redução:

– da capacidade operacional dos transbordos pela redução da massa específica das cargas;
– do índice de percolação nos difusores.

Já os mais facilmente mensuráveis estão ligados à:

Redução:

da capacidade de moagem, com consequente aumento do período de moagem, da ordem de 2,3% para cada ponto percentual de palha na matéria prima, no caso de extração por moenda e 3,1% no caso de extração por difusor;
– da massa específica das cargas dos veículos transportadores em 3% para cada ponto percentual de palha na matéria prima;
– da extração de açúcar, na base de 0,1% do ATR que entra para cada ponto percentual de palha;
– do ATR da matéria-prima arrastado pela palha, na base de 1,02 kg para cada ponto percentual de palha na matéria-prima.

Considerando-se a seguinte condição hipotética, poderemos avaliar os ganhos que poderão ser obtidos numa safra, com a redução de 2% no teor de matéria estranha vegetal na matéria prima, conforme se segue:

Para tanto considere-se:- ATR médio de 130 kg/t

1 – Redução da capacidade de moagem/período de safra
2,3% x 2 = 4,6%
4,6% de 206 dias = 9,47 dias moagem
9,47 x 1, 3 (demanda de 30 % a mais de dias em final de safra) = 12,31 dias a menos de safra.
Considerando um custo variável de R$ 60.000,00 por dia de safra, teremos uma economia da ordem de R$ 738.600,00 na safra.

2 – Redução da extração de açúcar
0,1% x 2% = 0,2% do ATR que entra
0,2% de 130 kg ATR/t = 0,26 kg ATR/t cana
2.000.000 t cana x 0,26 = 520.000 kg de ATR x R$ 0,60 = R$ 312.000,00 por safra;

3 – Perda de açúcar
1,02 kg x 2% = 2,04 kg de ATRL da matéria prima
2.000.000 t cana x 2,04 kg de ATR = 4.080.000 kg de ATR x R$ 0,60/kg de ATR = R$ 2.448.000,00

Resumo

R$ 738.312.000,00 + R$ 312.000,00 + R$ 2.448.000,00 = R$ 3.498.312,00 na safra

Embora os ganhos de difícil mensuração sejam bastante expressivos, estes últimos, mais facilmente mensuráveis mostram por si só o montante que se pode ganhar com a redução do teor de matéria estranha vegetal.

O que é importante observar é que esse valor está em nossas mãos e poderá ser conquistado com baixíssimo investimento.

Nós da CCEA temos ampla experiência em colheita mecânica e mediante um diagnóstico podemos avaliar o estado atual da colheita, entender as principais ações que devam ser tomadas para reduzir o teor de matéria estranha na matéria prima, de acordo com a realidade de cada empresa.

A partir do diagnóstico desenvolvemos, em conjunto com a equipe de gestores da empresa, Planos de Ação visando atingir as metas estabelecidas.

Consulte-nos.